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Quando Criança...
Posted by Felipe F.
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23:01
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SegueVida
Não sei por
que uma das memórias que eu tenho bem vivas é a do meu primeiro dia de aula na
escolinha. Devia ter uns dois anos, e demorei um bom tempo pra me adaptar. Chorei
bastante pedindo pra voltar pra casa. Minha mãe acabou desistindo e só tentando
de novo mais de um ano depois.
Tinha uma coleção
de livros didáticos de colorir, ligar pontos, que minha mãe arranjou que eu
adorava. Aprendi bem rápido a ler. Com seis anos eu gostava de ler nas missas
de domingos, e como a fluência era boa lembro-me de receber bastantes elogios das
“tias e ficar bem orgulhoso disso. Com sete, minha professora da primeira série
se impressionou com uma redação e fez questão de mostrar pra diretora da
escola. Como estava me descobrindo o mais absoluto fracasso em todos os
esportes, achar que eu era bom em alguma coisa me consolava bastante.
Como minha
mãe era catequista, e no começo dava as aulas aqui em casa, fiz catequese mais
tempo que todo mundo, e acabei fazendo a primeira comunhão mais cedo, com oito
anos. Pra minha surpresa fui rejeitado como coroinha pelo padre, que me achava
muito hiperativo para função, e esta é a história que hoje uso como desculpa
por não freqüentar mais a igreja.
Lia muito.
Lembro que enchia o saco do meu pai pra comprar as revistas da Disney explora,
além de ser o maior freqüentador da biblioteca da escola. Acho que li toda a
coleção do monteiro Lobato e costumava indicar outros livros pros outros
coleguinhas da sala. Um dos livros que eu lembro que “descobri” e viraram febre
foi “Marcelo, Marmelo, Martelo” da Ruth Rocha.
Embora
minha infância tenha se passado nos anos 90, teve um gostinho dos anos 80. Aqui
em casa tinha um atari que ficava ligado sempre com river raid ( vulgo jogo do
aviãozinho). Herdava muita coisa dos meus primos mais velhos, entre eles LPs do
trem da alegria, Xuxa, e Mara maravilha que tocavam dia e noite aqui em casa. Desde
cedo, no entanto, gostava de musica internacional, por isso enchia o saco pra
ter os discos com trilhas sonoras das novelas. Uma das que eu mais escutei foi
a de “olho por olho”, que tem uma das minhas canções favoritas até hoje: “What’sup” do 4 non blondies.
Sou muito grato
a minha mãe por além de comprar os discos, me levar bastante ao cinema e ao teatro
quando criança. Acho que cresci um adulto melhor e com mais cultura graças a
isso. Meu primeiro filme foi rei leão - lembro que fiquei com medo dos animais saírem
da tela -, mas foi Tarzan o filme que eu provavelmente assisti mais vezes. Tenho
o VHS verde até hoje, em algum lugar.
Com oito
anos meu cover de Sandy e Junior foi sucesso na gincana do colégio, levando
minha equipe a vitória. Foi também por essa época que eu passei em uma seleção
pra um papel principal na peça da escola e resolvi que queria ser ator. Fiz vários
cursos e cheguei até ser agenciado. Infelizmente quando me chamavam pra testes
no rio de janeiro, não podia ir, e acabei desistindo.
Só mais
tarde ( com uns 10 pra 11 anos) pude
sair pra brincar na rua. Lembro de umas férias que ficava na rua o dia todo,
mas antes disso era uma criança bem caseira, que assistia muita televisão e
passava muito tempo jogando vídeo game .Principalmente Sonic de mega drive e Pokémon
de game boy. Meu brinquedo favorito por muito tempo foi um pense-bem e eu lembro
com tantas saudades dos pique-escondes na rua quanto dos campeonatos de looney
tunes no mega drive, por isso acho realmente irritante quando os meus contemporâneos
criticam a infância tecnológica atual, sendo que também criticavam a nossa.
Pra quem
demorou de gostar de ir pra escolinha, até que acabei gostando bastante de
estudar. Hoje faço duas faculdades e por causa delas o que eu mais faço é ler e
escrever. No meu tempo livre estou escutando musica, indo ao cinema, ou
envolvido com alguma bugiganga tecnológica. Tirando o fato de que não compro mais kinder ovo por um real,
talvez pouca coisa tenha mudado de verdade comigo.



