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O fim de LOST

Posted by Felipe F. on 21:52 in

Quem me conhece, sabe da minha devoção pelo seriado LOST. São seis anos acompanhando, assistindo, comentando. Fazendo amigos e familiares assistirem e comentarem, fazendo amigos comentando. Sempre fui mais que fã, um agente de LOST, e com o passar do tempo passei a admirar LOST em suas diversas facetas. Facetas essas que muitos fãs parecem ter se esquecido (para bem ou para o mal) passando o final.

Acabou ontem com um episódio de quase duas horas de duração e alta carga dramática, que com certeza fez muita gente soluçar em muitas das cenas. O SCI FI foi posto de lado, pra um final com teor espiritual e simbolismo religioso. A questão deixou de ser porque todas aquelas pessoas estavam lá, e passou a ser porque todos nós estamos aqui. Afinal “um dia todos morremos”como elucida Christian Sheppard nos minutos finais da série.

Pra quem acompanhou os dramas daquelas pessoas em busca de redenção, se identificou com as histórias de seus passados, presentes e futuros tão bem construídas e se surpreendeu e ficou triste com a morte de personagens queridos durante o percurso, o final cumpriu o seu papel da forma mais bonita como poderia ter cumprido.

Mas reduzir LOST a somente isso e encarar a ilha como “só um lugar especial por onde aquelas pessoas passaram é besteira”. Ignorar que os produtores prometeram respostas para todo o folclore que construíram ao longo de todos esses anos, e que a busca, e espera por essas respostas moviam boa parte dos seguidores da série que agora tem todo o direito de se sentirem frustrados por essas respostas não terem vindo é ultrajante. Entretanto menorizar LOST à somente essa busca por respostas, e dizer que nada valeu a pena, também não.

A verdade que LOST nunca foi uma coisa só. Pra começar a forma como ele nos contou essa história é inovadora. Ele abusou de todos os recursos pra construir uma narrativa inteligente que não subestimava seu espectador. De frente pra trás, de trás pra frente, LOST é revolucionária em termos de roteiro e formato, e isso é inegável.

Nem só roteiro, nem só personagens, nem só mistérios. LOST proporcionou uma experiência midiática totalmente nova. Alternative Reality games, games para consoles, e episódios para celulares, livros, fizeram da série multimídia, proporcionando experiências diferenciadas paras cada tipo de espectador e contavam pedaços a parte que ajudavam a montar o grande quebra cabeça que foi essa história.

Enquanto isso, movimentou comunidades online, de pessoas que discutiam, especulavam, e por sua vez promoviam mais e mais a série. Uma experiência de marketing 2.0 a ser seguida e copiada por muita gente de agora em diante.

Quanto a mim, não dá pra falar que não me emocionei com o final, nem que não me senti frustrado pela falta de muitas das respostas que foram prometidas e não foram dadas, e que querendo ou não levaram a mim e a muitas pessoas a especular e querer assistir ainda mais a série. Independente do final a jornada foi incrível, trilha sonora, atuações e tudo já citado. Agora resta a mim me agarrar a esperança de que gênios do marketing que são essas explicações ainda apareçam em livros, jogos, DVDs ou até mesmo um filme.


O conceito não maniqueísta que LOST discutiu com propriedade do inicio ao fim, acaba por ironicamente se refletir na própria série. Nada e ninguém é inteiramente bom ou mal sempre. Nem mesmo LOST, nem mesmo seu final.


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